Qual é a polícia que queremos ter?

A crise de segurança pública deflagrada em fevereiro de 2017, deu a amostra da dependência social das forças policiais. A paralisação da Polícia Militar promovida pelos familiares dos policiais colocou o estado em caos. Tão logo que a notícia se espalhou, bandos invadiram as ruas e praticaram a barbárie a céu aberto. Parte da sociedade capixaba apoiou os PMs compreendendo que o governo do estado se vale do fato dos militares não poderem fazer greve e assim o policial militar e civil são últimos a serem lembrados para receberem reajustes. Por outro lado, muitos cidadãos criticaram a PM reprovando a atitude dos familiares.

Mas afinal, qual é a polícia que queremos? O cidadão brasileiro tomou para si o ardil pensamento da esquerda dominante no país: Queremos a polícia perfeita mas não queremos dar aos policiais condições para a perfeição. Querem que o policial seja hiper-preparado, calmo, compassivo e que não use a força contra as "vítimas da sociedade". Se isso não fosse o bastante, querem que o policial fique desarmado ou no máximo use as armas que o estado determine em uma guerra desigual contra o crime organizado e o tráfico de drogas.

A sociedade e o governo cobram do policial algo que eles mesmos não conseguem oferecer. Da parte civil a população não colabora com o trabalho da polícia. Além de não valorizar o policial, resistem a abordagens e em alguns lugares até acobertam os criminosos com o pensamento vil de que o policial está oprimindo a vítima da sociedade opressora capitalista.

A imprensa sempre questiona e coloca em dúvida o trabalho da polícia. Ainda que a situação mostre claramente que o criminoso colocou em risco a vida do policial e dos civis, a imprensa coloca a ação da polícia como suspeita de ilegalidade. Se um policial por exemplo balear um criminoso, a primeira pergunta que a imprensa e o estado fazem é se a ação foi dentro da legalidade, mas sequer questionam por exemplo, quando um policial é assassinado friamente pelo criminoso.

Para completar a pressão de todos os lados, o estado não só questiona as ações policiais, como deixa os policiais minguarem em recursos. O fato dos militares ( e agora qualquer força de segurança) não poderem pedir por melhores salários e condições faz o governo entrar em um perverso jogo de deixar os agentes de segurança manietados, sem amparo jurídico e instrumental. O policial não possui armamento equiparado ao crime organizado, viaturas tecnicamente questionáveis, como por exemplo os modelos Chevrolet Spin da PM do Espírito Santo.

Nos EUA, a segurança pública começa com o cidadão. Se alguém tentar invadir uma propriedade privada nos EUA, poderá levar um tiro  ou ser morto e a justiça dará plena razão ao cidadão que se defendeu. Já no Brasil, se alguém invadir um lar, dificilmente encontrará uma arma para opor sua ação. Se for morto, os promotores ficarão ensandecidos, pois como pode um cidadão honesto e trabalhador defender sua família e bens patrimoniais daqueles que são as "vítimas da sociedade burguesa opressora, cristã e capitalista".

Portanto nos tornamos a sociedade que ao mesmo tempo que não damos suporte à ação policial, queremos a polícia perfeita, equipada e de pronta resposta. Mas como que a polícia será assim, se ela passa boa parte do tempo combatendo "charlie 04" (desinteligências, brigas). Se nos opomos a sermos abordados e resistimos ao trabalho da polícia? Se invertemos os valores e questionamos mais a ação do "suspeito" do que a dos policiais? Portanto antes do estado, somos nós cidadãos que devemos dar honra aos policiais militares e civis e principalmente eleger parlamentares nas esferas estaduais e federais que apoiem o trabalho policial. Infelizmente nosso legislativo pouco se importa com as 117 mortes de Pms no RJ e em outros estados. A mudança na segurança pública começa por nós cidadãos de bem.

 

Felipe Sena

Felipe Sena é membro da Direita Espírito Santo
Integrante do núcleo de Vitória