Intervenção militar. Um caminho sem volta.

Desde 2014, por muitas vezes me deparei com pedidos de intervenção e algumas vezes até me identifiquei com a possibilidade de uma intervenção militar no Brasil. Afinal de contas, boa parte do congresso trabalha por interesses pessoais, o judiciário aparelhado favorecer aqueles que deveriam estarem na prisão e o executivo não pensa no país. A máquina da corrupção chegou ao seu limite e colocou o Brasil em uma profunda crise política, moral e econômica.

A intervenção militar parece ser algo simples, mas não é bem assim. Esse tipo de operação só pode ser requisitada pelos poderes constitucionais no Artigo 142 da Constituição:

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Portanto, para que ocorra uma intervenção militar, todos os poderes constitucionais deveriam falir por completo. Por mais que a situação do judiciário, executivo e legislativo seja lamentável, elas são resultados da escolha popular. Ninguém tomou o poder a força ou golpe (embora possamos desconfiar as urnas eletrônicas). Tudo que passamos é fruto da nossa irresponsabilidade eleitoral. Por anos o brasileiro não se preocupou em escolher seus deputados federais, estaduais, vereadores, senadores, governadores, prefeitos e presidentes. O brasileiro em maioria, se escorou na máxima de que político é tudo ladrão, que ninguém presta ou que nada vai mudar. Esse tipo de pensamento deu margem para que aproveitadores se apropriassem da frágil república, principalmente partidos de esquerda como PC do B, PT e PSDB e os habituais partidos de centro como DEM, PP e PMDB implantassem múltiplos esquemas de indicação política, desvios e propinas.  Agora que essas oligarquias estão muito concretizadas, parte da população clama por uma intervenção militar, como se isso pudesse limpar o país  dos sujeitos que ai estão.

Há porém entraves e detalhes que os intervencionistas não percebem. Uma intervenção militar no atual momento, seria praticamente uma espécie de "rebelião" das forças armadas brasileiras contra os poderes constitucionais, uma vez que nem o Supremo Tribunal Federal, nem o Congresso e nem o executivo requisitaram o uso das forças armadas. Além desse fato, o momento é completamente diferente de 1964, onde o presidente João Goulart flertava com forças comunistas estrangeiras e havia abandonado o país, deixando o Brasil em um clima de desgoverno, o que levou a sociedade em peso (Mídia, mulheres, igrejas, empresários e todo cidadão de bem) a pedir pela intervenção das forças armadas. A situação agora é muito diferente, uma vez que a mídia e parte da sociedade não aceitariam uma intervenção militar.

Esse cenário desfavorável exigiria das forças armadas grande coordenação estratégica e determinaria um caminho sem volta, uma vez que os generais não poderiam recuar. Inevitavelmente a mídia e os incautos dominados pelos discursos de esquerda, acusariam as forças armadas de golpe, tirando dos generais qualquer possibilidade de uma intervenção tranquila, exigindo das forças armadas o uso da força e prisão de muitas pessoas. Se o cenário interno já é aterrorizante, imagine então o não reconhecimento da intervenção por parte da comunidade internacional. A ONU e outros países dominados por forças globalistas ou esquerdistas acusariam as forças armadas do Brasil de golpe. Isso faria o Brasil ser o último roteiro para turismo e investimento, além de sanções econômicas e até mesmo a intervenção militar externa com forças da OTAN por exemplo para "apaziguar" o país.

A questão não é nem a intervenção em si mas o pós-intervenção. Suponhamos que a intervenção seja feita como muitos desejam e as forças armadas viessem convocar novas eleições. A primeira administração de esquerda que for eleita no país, condenará os militares acusando-os de golpe. O Brasil viraria um caos econômico e social, pois uma intervenção militar (no atual cenário) não seria capaz de sanar a corrupção e o crime organizado sem fazer o uso extremo da forma, onde a atitude mais branda seria prisão arbitrária.

É por essas razões que a intervenção militar ainda está distante de acontecer. E se acontecer uma coisa é certa: não haverá volta e seguirá por duas opções, remover a corrupção e os revoltosos a base da força bruta ou ignora-los, convocando novas eleições para serem desmoralizados pelo resto do século.

É difícil falar isso, mas a intervenção militar só é viável mediante o extremo caos no Brasil, falência dos poderes constitucionais ou os mesmos apoiarem grave ameaça à soberania nacional. Neste caso nem acredito mais em intervenção militar mas em uma guerrilha sangrenta entre os patriotas e aqueles que não amam nem suas próprias mães, no caso os que ai estão amando o comunismo doente que matou mais de 100 milhões de pessoas só no século XX.

Em todos os cenários a intervenção militar terá um inimigo que poucos querem combater e que nenhum fuzil pode abater: A cultura marxista impregnada na mente do povo.

 

Felipe Sena

Felipe Sena é membro da Direita Espírito Santo
Integrante do núcleo de Vitória